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terça-feira, 29 de maio de 2012

Ele eu

Ele eu


Ele é o arquiteto

Eu a tinta de todo o teto

Pedreiro de angular tristeza

Eu instrumento do nada sem

Beleza

Ele artífice do jardim

Eu em solidão sem fim

Na arte de rosas e orquídeas

Eu sem olfato e amoreiras

Ele com amores esplendido

Eu nu perdido esperneio

Ele conduz a multidão voraz

Eu passivo preso aqui mordaz

Ele pacificador herói

Eu marginal que se correi

Ele se encontra e eleva

Eu sonho e desprezo

Ele reconstrói todo instante

Eu não consigo o bastante

Ele é eu no espelho

Eu sou ele em pelo


Ulisses Reis®

19/12/2008


2 comentários:

Solange Maia disse...

somos feitos desses paradoxos... nele mora tanta riqueza, tanta beleza...

beijo grande

Escarlatte disse...

Magnifico debulhar de palavras.

Já sentia saudades, andavas ausente!